O primeiro dia do Summit Governança e Gestão, realizado em Brasília, estabeleceu as bases para um debate técnico focado na modernização dos Conselhos Profissionais. Com a participação de lideranças e gestores de diversas autarquias, as discussões do dia concentraram-se na convergência entre as exigências dos órgãos de controle e a adoção de ferramentas que garantam maior eficiência administrativa. O foco central recaiu sobre a necessidade de integração entre planejamento estratégico, execução orçamentária e transparência ativa.
Ao longo da programação, ficou evidente que planejamento estratégico, execução orçamentária, transparência e tecnologia precisam caminhar de forma integrada. Mais do que atender às exigências legais, os debates mostraram que essas práticas são fundamentais para apoiar decisões mais consistentes e ampliar a entrega de valor à sociedade.
Diretrizes de controle e compliance
A palestra magna de abertura, conduzida pelo Ministro Augusto Nardes, destacou que a governança pública deve ser sustentada por indicadores de desempenho e auditorias operacionais. Para o ministro, o planejamento estratégico não pode ser dissociado do controle, sendo fundamental que as autarquias adotem mecanismos para medir resultados efetivos. Complementando essa visão, o painel sobre a nova régua de compliance, apresentado por Lauro Augusto e Danielly Pisciottano, detalhou acórdãos recentes do TCU que exigem mais maturidade digital e transparência nos processos internos.
Transparência e maturidade de dados
Um dos pontos altos do dia foi a apresentação do estudo de maturidade realizado por Renato Melo, que registrou uma evolução significativa na adoção de dados abertos pelos Conselhos Profissionais, saltando de 2% em 2022 para 86% em 2026. Apesar do avanço quantitativo, o debate mostrou que o desafio atual consiste em atingir níveis mais altos de qualidade e histórico das informações disponibilizadas. A transparência foi tratada não apenas como uma obrigação legal, mas como uma ferramenta de aproximação entre o Conselho e a sociedade.
Gestão integrada e operação por riscos
A integração entre estratégia, contabilidade e projetos foi demonstrada em casos reais, como o apresentado por Érica Chagas, do Coren-SP. O modelo exposto utiliza a articulação entre instrumentos como o Plano Estratégico Institucional (PEI) e a Proposta Orçamentária Anual (POA) para evitar o descolamento entre metas e recursos financeiros. No âmbito finalístico, Débora Marchi detalhou o novo modelo de fiscalização nacional integrada do Sistema CFBM/CRBMs, fundamentado em mapas de risco e planejamento orientado por dados, o que permite visitas presenciais mais assertivas e otimização de roteiros.
Inteligência de Dados e Governança Tecnológica
O encerramento das atividades no auditório principal tratou da utilização da inteligência de dados como vetor de relevância institucional. Wankes Leandro abordou os riscos da autonomia tecnológica sem limites operacionais, defendendo que a adoção de novas ferramentas deve ser acompanhada de uma governança rigorosa. O conceito de “uso governado” foi enfatizado como o caminho para garantir que as interações tecnológicas permaneçam em ambientes institucionais seguros, mantendo sempre o humano como responsável final pelas decisões.
O primeiro dia do Summit deixou claro que temas como compliance, governança, planejamento, transparência e tecnologia já fazem parte da rotina dos Conselhos Profissionais. Mais do que acompanhar mudanças regulatórias, o desafio agora é transformar essas diretrizes em práticas que fortaleçam a gestão e gerem resultados concretos para as instituições e para a sociedade.
A programação continua com debates sobre inovação, reforma tributária, automação de processos e outros temas que vêm redesenhando a atuação dos Conselhos Profissionais.


